O silêncio desconforta. Estamos tão acostumados com o barulho que o silêncio parece vazio. Mas na sessão psicanalítica, ele pode ser o momento mais cheio de uma conversa.
Na psicanálise, o silêncio não é o oposto da fala. É outra forma de dizer.
O que o silêncio comunica
Quando alguém para de falar em sessão, muita coisa pode estar acontecendo. Pode ser que uma emoção importante tenha surgido e ainda não encontrou palavras. Pode ser que um pensamento que assusta tenha aparecido na borda da consciência.
O analista aprende a ouvir o silêncio — não para preenchê-lo, mas para deixá-lo dizer o que precisa dizer.
A pressa de preencher
Vivemos numa cultura que desconfia do silêncio. Nas conversas cotidianas, um silêncio é rapidamente preenchido. Sentimos que precisamos sempre estar produzindo — palavras, respostas, desempenho.
A sessão analítica é um dos poucos espaços onde isso não é exigido. Onde o silêncio não é um problema a resolver.
O que emerge do silêncio
Muitas das elaborações mais significativas em terapia acontecem depois de um silêncio. Como se a pausa criasse espaço para que algo mais profundo pudesse aparecer.
É no silêncio que o inconsciente frequentemente encontra sua chance.
Escrito por
Gabriela Nunes
Psicóloga clínica com abordagem psicanalítica. Especializada no atendimento a mulheres que vivem em autocobrança e ansiedade.
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