A autocobrança é um dos padrões mais silenciosos e devastadores da vida psíquica contemporânea. Ela não chega anunciada. Ela se instala como uma voz interior que diz, continuamente, que você poderia ter feito mais.
Onde ela começa?
Não nascemos nos cobrando. A autocobrança é uma construção. Ela se forma nas primeiras relações — com pais, com professores, com um olhar que, mesmo sem palavras, comunica: "ainda não é suficiente".
Com o tempo, esse olhar externo é internalizado. A voz que cobra passa a ser a nossa própria voz.
O corpo como termômetro
O corpo raramente mente. Tensão no pescoço, dores de cabeça persistentes, dificuldade de dormir, aperto no peito antes de uma reunião. São manifestações físicas de um estado psíquico de alerta permanente.
O corpo carrega aquilo que a mente ainda não conseguiu nomear.
O que a psicanálise propõe?
A psicanálise não propõe eliminar a autocrítica. Propõe investigar sua origem. De onde vem essa voz? A quem ela pertence, de fato? O que você precisou fazer para ser amada, aceita, suficiente?
Ao trazer essas perguntas para a consciência, algo muda. Não de uma vez, mas aos poucos. A voz que cobra começa a perder autoridade. E no espaço que se abre, surge algo mais gentil.
Escrito por
Gabriela Nunes
Psicóloga clínica com abordagem psicanalítica. Especializada no atendimento a mulheres que vivem em autocobrança e ansiedade.
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